meu eu procês

eu não costumo usar ponto final;

Mais que três dias de Blues

Eu acreditava que suas veias
quando seus braços e mãos me seguravam corpo aflora
eram partes das minhas raízes,
e eu florescia bem-me-quer.

Mas eu sabia dos seus olhos, moço.
Seu verde não era jardim,
era esse reflexo claro de busca,
do seu universo sentir e ser a fora.

Sua alma cigana sempre me fez entender
que suas asas sempre ecoaram mais a fundo do seu peito
do que viver pra ficar; e eu não te culpo por ir.

Sempre fez parte da sua essência de ser que você fosse – eu sei;
Mesmo que fosse um tanto quanto essencial,
pra mim, no fundo, que você ficasse.

O que fica de você tem gosto de imensidão bonita.
Porque dentro dessa sua liberdade, genuinamente sua,
sempre te vi sendo infinito.

A nossa colisão na vida aconteceu,
e a gente era pra ser da gente.
E ser amor, moço. E fomos, e somos.
A gente precisava se encontrar
em algum momento das nossas existências.
Meu Deus! Como é amor o encontrar das nossas existências.

Era crucial pras nossas vidas
que ao meu anoitecer
suas pintas fossem constelações minhas.
(E eu orbitava o céu da sua boca.)
Era crucial que Janis Joplin
(Nosso amor dentro de outras épocas.)
fosse nosso ritmo ao seu amanhecer de dançar com meu coração.

Talvez a melodia mais bonita do mundo
seja corações na mesma frequência – pensei.

Eu confundi as minhas lágrimas nas suas – me lembro.
E eu que não fumo, no te lembrar na minha vida,
sinto seu gosto no cigarro – e não te trago de volta.

Sob o manto do passado habita nosso nós, moço.

Talvez amor fosse qualquer coisa como um gatilho – pensei.
No fundo eu entendi que é bala:
me acerta e eu doo, nas suas variações de verbo.

Eu morri um pouco na sua falta
pra me lembrar de toda vida pela frente.

Nosso amor são as cores de Woodstock
vivas no pra sempre,
porque tempo nenhum desbota.

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Patrício,

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Me atrevo a te contar de um menino. Nasceu era setembro, floresceu a vida quase como quando brota na primavera, mas antes. Nasceu virginiano, mas tempo atrás me contou que também podia ser libra, ainda não sei, ficou de me explicar. Aguardo! Sempre gostei do jeito que a fala, o gesto e a sabedoria tomam conta dele pra vir ser também nosso quando ele conta história enquanto faz, despretensiosamente, história em nós. Todo momento que é dele é muito dele mas sempre passa a ser da gente, coisa rara, só quem tem força assim de ser e ficar no outro, é.
O momento agora, muito que dele, por isso te escrevo. Você sabe, não costumo dar nome ou forma, limita a escrita e o infinito de possibilidades e os caminhos e as vontades, mas você conhece quem, você sabe, não precisa de limitação de nome quando existe num corpo caber sem cabimento o tanto de sentimento que cabe… Pausa. Em você.
O menino, que também homem, mas eu quero que ele seja lembrado, nesse momento, muito mais pela ingenuidade decorrente e às vezes limitada da vida do que a maturidade alcançada nela, mal parava quieto o menino: corpo, mente, coração.
Mal parava quieto, mas parava pro café. Precisava pegar as coisas pra sentir aquilo mais do que sendo coisa, mas como função. Acende o incenso como alguém prestes a acender a alma, mas ainda assim não parava, o corpo talvez, mas a mente sempre à frente do tempo corrente ao seu lado. Penso que de vários dons, o menino tem o dom de ser a vida, e era. É. Não que a vida não fosse de fato uma coisa pra muita gente, mas como é pra ele, não há de ser pra ninguém. Percebe o tanto que sagrado é isso? O sagrado nele é exatamente a humanidade que tem.
Carrega tanta luz que nem percebe, e tem retalhos de mistérios. Porque pra ser gente, você sabe, a gente lida com muito dentro de nós. Cada um tem a sua guerra e tudo que sei das dele é que se precisasse eu lutava junto. Ele sabe. Eu lutaria a guerra dele se isso de lutar guerras próprias não fosse tão de cada um. Mas que seja dito assim então, eu lutaria qualquer guerra por ele. Entende?
A existência dele sempre foi como um milagre diário nas minhas próprias guerras. Que coisa é a vida, não? Esses dias aprendi que Deus é também a bondade despretensiosa que abraça a gente e que não necessariamente a gente vê. A gente sente aquilo tudo ali, porque bondade é coisa que canta pro nosso coração, pensei no menino, em você. Você ilustrou isso como o azul colore o céu. Te vi sorrir ali, com toda sua simplicidade, quando seu sorriso acanha quase que explodindo pro mundo a alma boa que você tem.
Te falo em menino não por desacreditar no que você é enquanto o tempo passa, mas porque sei que você não esquece essa beleza do que ecoa ser pequeno. Pequeno, você sabe, não como gente. Mas você, como gente grande, homem, acentua tudo dessa sua sempre beleza de quando pequeno. Não sei se fui clara, mas sua essência não muda – que bom! Você verdadeiramente evolui.
Uma vez pensei assim nessa frase que bonita que só representa um tanto de coisa “só Deus que te pague.” Queria usar ela pra você, e me deixa te explicar… É que não existe no mundo o que eu possa te dar além de amor que te explique tanto esse amor. Essa admiração genuína. Só Deus que te pague por tudo que você é, e é pra mim. Pelo tanto que você é, e faz a gente ser melhor. Só Deus – essa força que independente de crença ou não revela algo maior e melhor do que nós nem que seja pela força de expressão – pra te fazer meu irmão.
Que você seja sempre homem honrando tudo que acredita e acreditando com coração em tudo que se propõe a entender no mundo. Você tem raíz que cresce e transborda humildade mas não deixa de ser alado. E voa! Porque o mundo é seu. E todos os dias e suas possibilidades também.

Com saudade, te abraço a alma,
Brenda.

Qual a cor, senão todas elas, que me enfeitam a jura,
defendem minha crença, abrigam meu ser?
Qual a flor, senão todas elas, que vão escrever com pétalas lendas de nós?
Qual o vão da caligrafia vai separar meu nome do teu?
Nenhum.
Qual palavra dança na minha boca quando te chamo?
Se te chamo, qualquer palavra dança.

É preciso ser muito homem pra assumir de onde vem o teu soneto,
que verso abriga o teu corpo e o que desnuda a tua alma.
Você diz que eu.
Que eu sou o verso, a prosa e a culpa.
Mas coragem de amor, quem é que tem?
Se hoje você vem e amanhã é só amanhã
e tudo outro que você chama de amor,
é outro,
não sou eu.

meu costume 

eu te percebo nos detalhes dos meus dias no cheiro do café da minha mãe

num isqueiro pra lembrar da sua coleção

num cinzeiro que ninguém usa

em pedras pelo destino, você pegou pra mim pedaços de chão mundo aflora 

ao som de Maria Bethânia 

em alguma palavra solta no meio da minha boca mas que ecoa a sua voz no meu coração 

na cor azul, e sei que você me colore com ela

no meu nome composto, porque te fez rir

nos meus passos quando já se harmonizaram nos seus andando todos iguais 
eu sempre coloquei muito significado em tudo, você sabe
quando falo de amor, eu te percebo nos montes também, 

você ilustra,

é.

eu quase que morria todo dia pela sua falta e hoje sinto a quase cura do seu nome

o quase ainda me fere quando eu te lembro enquanto meu nome pra você nada passa de um eco – você me veste o vazio de ser nada

o quase ainda me machuca desde o ego ao seu retalho no meu coração 

o quase ainda me faz saber que você existiu no meu corpo e a vida já me inundou de você

o quase me faz ter overdose dos seus detalhes quando eu deslizo no que é de repente seu relapso encontrar minha memória e seu rosto ainda ser emoldurado como o que quer que seja um tanto quanto o que o amor é
a quase cura do seu nome me afeta e eu finjo que tudo bem porque tudo bem eu que quase morria todos os dias hoje vivo
nosso amor sobreviveu ao meu excesso e a sua falta dele – agora a vida o guarda sob o manto do passado

hoje! mesmo depois de quase morrer todos os dias eu sobrevivi a você 

e seu nome ainda pertence às minhas preces mesmo que a ferida se disponha a arder um pouco

tudo bem… tudo bem.

Eu vi o meu futuro no contorno da sua boca. Como se eu andasse pelas suas palavras e pertencesse ao seu nós. (Nós é sempre uma das minhas palavras, existe felicidade em te ter aqui). 

Me deixa dizer que eu gostei do que vi. A boca – e o futuro também. 

É que daqui a 7 segundos o meu futuro vai ser sua boca. 

O entrelaçar de pernas configura um nós? 
Suas veias sempre pareceram raizes e quando minhas mãos te encostam eu sempre pareço florescer.
Eu descobri que te amava enquanto fazia das suas pintas constelações. 

Eu não disse sobre o amor. Quis! 

Mas não sei, eu tive, talvez, que pensar como é a grandeza de descobrir amor. 

Essa proporção de saber foi a maior descoberta astronômica do meu tempo – pra mim. 

Descobri que lunares se não constelações, são obras de arte. 

Qualquer coisa grande que descreva meu deslumbre sobre como o universo te colocou pinturas que me são agora sagradas. 

Eu gosto do jeito que sua raiva não supera sua sensatez. 

Você me faz pensar de um jeito bonito. 

Cê me tira do sério – porque gosta.

Me tira o juízo – e eu gosto.

Só não se tira de mim!

Eu não escrevo mais. Você sujou o que me era mais sagrado. Destruiu meu vocabulário. Eu não escrevo mais e tão pouco sinto. Você quebrou o que eu tinha de bonito e me bordou a mão um vazio. Seja lá o que significa isso, eu não entendo mais de significados. Tão pouco entendo de mim. Você me fez sangrar a alma e me fez pensar que eu gostava de doer. Porque você quebrou meu vocabulário e eu pensei que isso era amor. Eu acostumei com o vazio do abismo bordado por você ao meu corpo. Você me disse que não era fim. Eu entendi sempre começo porque você destruiu minhas palavras – e nunca nem sequer manteve as suas. Eu pensava em nós mas não dava conta do quanto me apertava. Você me sujou o que me era mais sagrado porque eu já fui tanto amor enquanto esse amor não era nada. Eu não escrevo mais. Você desenha sua falsa sinceridade que me engole todas as noites sem dormir. A distância separa muito mais que o corpo. Ela desanda a cabeça e confunde o inteiro. Eu era inteira antes de você – mesmo que com meus pedaços. Meu vocabulário não te forma frase e eu não escrevo mais, porque não se pode pedir verdade onde não se tem. Em você.

Eu me fui verdade até me sentir nada.
Eu me sou verdade,
mesmo que eu seja nada.