meu eu procês

eu não costumo usar ponto final;

mientras mi mente viaja donde tú estás

em algum momento vou te escrever uma carta e bem no meio dela vou dizer assim: eu danço com o seu caos e você com o meu, isso não é amor? porque digo isso de um jeito muito bobo, mas dançar com o caos de alguém não é então o convite que falta pra dizer baixinho: eu te vejo, eu te aceito e quando quiser, sempre que eu puder, eu também te curo? o amor é isso, menina. eu vou ser sanidade sempre que você precisar. mas eu enlouqueço com você também, você sabe. você vai pensar um pouco, nunca pela pausa do talvez discordar, mas por sorrir e saber que isso sempre foi certeza. que nosso encontro de almas sempre foi certeza. que nosso estender de mãos e entrelaçar de afeto se dá a crua harmonia de transitarmos entre a nossa natural forma de ser. eu te vejo a essência. por isso, por tanto, nós não somos talvez. nós somos certeza. você vai saber, eu sei, que digo isso colorindo todos nossos defeitos… e qualidades. porque você sabe disso, e eu sei, que juntas somos nós por nós cruamente sendo nada mais que nós. que eu vejo seu caos e tudo bem. que você conhece o meu e tudo bem. nos estendemos as mãos. quão nobre? nos damos as mãos. saímos disso sempre juntas. e como se fosse crucial, e é: dançamos. eu danço com a sua paz e você com a minha. a distância existe pra quando eu poder te escrever essa carta você me abrir, a carta, as palavras e o peito e pensar: eu existo ali, onde for que ela estiver. eu existo aí, onde flor que você estiver. porque você existe em mim há tempo. sendo menina. e sendo, repito sempre, você sabe: flor. com suas pétalas e espinhos. e raiz. que bom a vida nos enraizar. eu vou dizer que com seu caos e sua arte, com sua paz e sua inquietude você me colore com azul e eu te coloro com amor. você é um jardim que eu habito. ainda que longe. sempre com cura e cuidado. a reciprocidade nos encosta, menina. isso nada nos tira. no final da carta eu vou dizer pelo menos cinco músicas que me lembram você. tu! e vou terminar ela te escrevendo eu te amo de um jeito que você gosta muito: ei, flor!
me ocorre agora esses três pensamentos:
espero que você esteja sorrindo.
tomara que logo a gente se abrace.
graças a Deus te tenho com essa amizade.

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somos a cura

Eu pensei que o mundo acabaria no dia que meu coração quebrou pela primeira vez. Eu nunca pensei que 2012 e todas as outras datas do calendário do fim do mundo, nem que todas e qualquer uma das catástrofes naturais fossem pra ser maior que a catástrofe do coração a se arder a falta e se entregar ao partido. O inteiro era o que tinha de ser pra sermos enfim. O solo nos sustenta o corpo mas o coração e o sentido figurativo sustenta a alma. O segundo sempre foi quem me fez ficar de pé. Ainda que pernas me assegurassem o equilíbrio. Foi o coração e toda essa força figurativa que sempre me segurou a vida.
Eu pensei que o mundo acabaria varias vezes ao meu próprio modo, ao meu próprio medo, ao meu próprio mundo, ao meu próprio peito, mas nunca por essa ou aquela profecia. Sempre por solidão. Porque a solidão caleja as mãos, sempre muito diferente da presença que entrelaça e amacia. Não que eu desmerecesse qualquer profecia e desacreditasse em qualquer mal, é que o ser humano sempre foi a causa, a culpa e a consequência. Vai ver é isso: seria então a maior profecia de toda a nossa destruição, estarmos fadados a qualquer sinônimo de estarmos puramente só. Enquanto penso em qualquer fim do mundo, eu sempre me pergunto, se já não chegamos ao fim desde o momento em que partimos os outros.
Quando qualquer guerra se faz, a humanidade falta e a fé fraqueja um pouco, por onde no meio disso tudo era pra tá Deus? Aprendi outro dia que Ele sempre tá aqui. Em nós. Na nobreza, no puro e no amor. Ilustrando qualquer ato que for de solidariedade. Nós somos um pouco de Deus sempre que agimos de forma genuína.
Mas aprendi com o coração partido que nós somos a causa, a culpa e a consequência. Nosso livre árbitro em vezes ecoa o desumano. Nós somos a guerra e o mal.
Quando tudo
que era pra sermos
era irmãos.

Em meio a sermos quebrados pelos outros e quebramos os outros… nós somos a catástrofe. O ciclo precisa ter fim.

a colisão, a descoberta e o amor

Nosso encontro não foi marcado por uma colisão de meteoro com a Terra, a descoberta de outro planeta ou qualquer coisa que noticiasse o jornal do dia seguinte. Mas foi do nosso modo um título de amor da vida desses que move o rumo da nossa crença em encontrar alguém. Nosso encontro foi feito pra arder no desencontro e se curar no esbarrão da volta. Você se sente da mesma forma que eu, esse seria o nosso título, ainda que nosso encontro não tenha sido marcado por colisão de meteoro, descoberta de algum planeta, qualquer que fosse a coisa. Nós que colidimos. Esse novo planeta era nós e nossa chance de ser, descobrindo que amor é o que simplesmente era pra sermos. E então fomos. E somos, amor. Era crucial que a única palavra que a gente se dissesse fosse o beijo. E foi. Somos dali. Dali em diante. E dali até o agora. E que peço de um jeito muito honesto, nobre e bonito – essa palavra que você ocupa no meu vocabulário tão bem – dali, até agora, até tomara Deus que muito. Você não gosta disso, de toda essa atenção, eu sei. Mas você sabe o quanto é importante pra mim que palavras sejam ditas quando sentidas. E te digo isso na certeza de que: é, talvez nós não somos a história de amor que roubaria a cena de qualquer notícia do mundo. Que estamparia jornais e tiraria o fôlego de quem a lê. Mas na minha existência, acalenta meu coração existir com você. E me tira o fôlego. Junto com esse deslumbre que tenho pela sua existência. Nós somos a colisão, a descoberta e o amor. Não estampamos jornais, mas somos a nossa história contando o quanto o amor simplesmente é, quando tem de ser. Você pra mim é descobrir, colidir e amar. Repito isso com insistência, certeza e com calmaria… no coração. Meu mundo é cheio de palavras que somos nós. A trilha sonora do nosso amor é cheia de poesia cantada. Sempre com a sabedoria do que é pertencer a existência de alguém. Que bom que somos. Admiro você, a maneira que sua raiva não supera sua sensatez e que você mesmo de um jeito desligado, não deixa de se ligar em mim. Eu me sinto da mesma forma que você, meu coração ecoa. Era pra sermos, anuncia a vida. Te escrevo com amor. Te beijo a boca e alma. E repito: que bom que somos amor… amor.

Mais que três dias de Blues

Eu acreditava que suas veias
quando seus braços e mãos me seguravam corpo aflora
eram partes das minhas raízes,
e eu florescia bem-me-quer.

Mas eu sabia dos seus olhos, moço.
Seu verde não era jardim,
era esse reflexo claro de busca,
do seu universo sentir e ser a fora.

Sua alma cigana sempre me fez entender
que suas asas sempre ecoaram mais a fundo do seu peito
do que viver pra ficar; e eu não te culpo por ir.

Sempre fez parte da sua essência de ser que você fosse – eu sei;
Mesmo que fosse um tanto quanto essencial,
pra mim, no fundo, que você ficasse.

O que fica de você tem gosto de imensidão bonita.
Porque dentro dessa sua liberdade, genuinamente sua,
sempre te vi sendo infinito.

A nossa colisão na vida aconteceu,
e a gente era pra ser da gente.
E ser amor, moço. E fomos, e somos.
A gente precisava se encontrar
em algum momento das nossas existências.
Meu Deus! Como é amor o encontrar das nossas existências.

Era crucial pras nossas vidas
que ao meu anoitecer
suas pintas fossem constelações minhas.
(E eu orbitava o céu da sua boca.)
Era crucial que Janis Joplin
(Nosso amor dentro de outras épocas.)
fosse nosso ritmo ao seu amanhecer de dançar com meu coração.

Talvez a melodia mais bonita do mundo
seja corações na mesma frequência – pensei.

Eu confundi as minhas lágrimas nas suas – me lembro.
E eu que não fumo, no te lembrar na minha vida,
sinto seu gosto no cigarro – e não te trago de volta.

Sob o manto do passado habita nosso nós, moço.

Talvez amor fosse qualquer coisa como um gatilho – pensei.
No fundo eu entendi que é bala:
me acerta e eu doo, nas suas variações de verbo.

Eu morri um pouco na sua falta
pra me lembrar de toda vida pela frente.

Nosso amor são as cores de Woodstock
vivas no pra sempre,
porque tempo nenhum desbota.

Patrício,

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Me atrevo a te contar de um menino. Nasceu era setembro, floresceu a vida quase como quando brota na primavera, mas antes. Nasceu virginiano, mas tempo atrás me contou que também podia ser libra, ainda não sei, ficou de me explicar. Aguardo! Sempre gostei do jeito que a fala, o gesto e a sabedoria tomam conta dele pra vir ser também nosso quando ele conta história enquanto faz, despretensiosamente, história em nós. Todo momento que é dele é muito dele mas sempre passa a ser da gente, coisa rara, só quem tem força assim de ser e ficar no outro, é.
O momento agora, muito que dele, por isso te escrevo. Você sabe, não costumo dar nome ou forma, limita a escrita e o infinito de possibilidades e os caminhos e as vontades, mas você conhece quem, você sabe, não precisa de limitação de nome quando existe num corpo caber sem cabimento o tanto de sentimento que cabe… Pausa. Em você.
O menino, que também homem, mas eu quero que ele seja lembrado, nesse momento, muito mais pela ingenuidade decorrente e às vezes limitada da vida do que a maturidade alcançada nela, mal parava quieto o menino: corpo, mente, coração.
Mal parava quieto, mas parava pro café. Precisava pegar as coisas pra sentir aquilo mais do que sendo coisa, mas como função. Acende o incenso como alguém prestes a acender a alma, mas ainda assim não parava, o corpo talvez, mas a mente sempre à frente do tempo corrente ao seu lado. Penso que de vários dons, o menino tem o dom de ser a vida, e era. É. Não que a vida não fosse de fato uma coisa pra muita gente, mas como é pra ele, não há de ser pra ninguém. Percebe o tanto que sagrado é isso? O sagrado nele é exatamente a humanidade que tem.
Carrega tanta luz que nem percebe, e tem retalhos de mistérios. Porque pra ser gente, você sabe, a gente lida com muito dentro de nós. Cada um tem a sua guerra e tudo que sei das dele é que se precisasse eu lutava junto. Ele sabe. Eu lutaria a guerra dele se isso de lutar guerras próprias não fosse tão de cada um. Mas que seja dito assim então, eu lutaria qualquer guerra por ele. Entende?
A existência dele sempre foi como um milagre diário nas minhas próprias guerras. Que coisa é a vida, não? Esses dias aprendi que Deus é também a bondade despretensiosa que abraça a gente e que não necessariamente a gente vê. A gente sente aquilo tudo ali, porque bondade é coisa que canta pro nosso coração, pensei no menino, em você. Você ilustrou isso como o azul colore o céu. Te vi sorrir ali, com toda sua simplicidade, quando seu sorriso acanha quase que explodindo pro mundo a alma boa que você tem.
Te falo em menino não por desacreditar no que você é enquanto o tempo passa, mas porque sei que você não esquece essa beleza do que ecoa ser pequeno. Pequeno, você sabe, não como gente. Mas você, como gente grande, homem, acentua tudo dessa sua sempre beleza de quando pequeno. Não sei se fui clara, mas sua essência não muda – que bom! Você verdadeiramente evolui.
Uma vez pensei assim nessa frase que bonita que só representa um tanto de coisa “só Deus que te pague.” Queria usar ela pra você, e me deixa te explicar… É que não existe no mundo o que eu possa te dar além de amor que te explique tanto esse amor. Essa admiração genuína. Só Deus que te pague por tudo que você é, e é pra mim. Pelo tanto que você é, e faz a gente ser melhor. Só Deus – essa força que independente de crença ou não revela algo maior e melhor do que nós nem que seja pela força de expressão – pra te fazer meu irmão.
Que você seja sempre homem honrando tudo que acredita e acreditando com coração em tudo que se propõe a entender no mundo. Você tem raíz que cresce e transborda humildade mas não deixa de ser alado. E voa! Porque o mundo é seu. E todos os dias e suas possibilidades também.

Com saudade, te abraço a alma,
Brenda.

Qual a cor, senão todas elas, que me enfeitam a jura,
defendem minha crença, abrigam meu ser?
Qual a flor, senão todas elas, que vão escrever com pétalas lendas de nós?
Qual o vão da caligrafia vai separar meu nome do teu?
Nenhum.
Qual palavra dança na minha boca quando te chamo?
Se te chamo, qualquer palavra dança.

É preciso ser muito homem pra assumir de onde vem o teu soneto,
que verso abriga o teu corpo e o que desnuda a tua alma.
Você diz que eu.
Que eu sou o verso, a prosa e a culpa.
Mas coragem de amor, quem é que tem?
Se hoje você vem e amanhã é só amanhã
e tudo outro que você chama de amor,
é outro,
não sou eu.

meu costume 

eu te percebo nos detalhes dos meus dias no cheiro do café da minha mãe

num isqueiro pra lembrar da sua coleção

num cinzeiro que ninguém usa

em pedras pelo destino, você pegou pra mim pedaços de chão mundo aflora 

ao som de Maria Bethânia 

em alguma palavra solta no meio da minha boca mas que ecoa a sua voz no meu coração 

na cor azul, e sei que você me colore com ela

no meu nome composto, porque te fez rir

nos meus passos quando já se harmonizaram nos seus andando todos iguais 
eu sempre coloquei muito significado em tudo, você sabe
quando falo de amor, eu te percebo nos montes também, 

você ilustra,

é.